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Dra. Renata Viana S. Diciomo – Reumatologista em Vila Mariana, São Paulo – SP

A artrose, também chamada de osteoartrite ou osteoartrose, é uma das doenças articulares mais comuns do mundo. Ela afeta milhões de pessoas e é uma das principais causas de dor crônica e limitação funcional, especialmente em adultos acima dos 50 anos.

Apesar de frequente, muitas pessoas ainda acreditam que a artrose é apenas uma consequência “natural” do envelhecimento e que nada pode ser feito — o que não é verdade.

O que é a ARTROSE?

A artrose é uma doença degenerativa das articulações. Isso significa que, com o tempo, ocorre o desgaste progressivo da cartilagem, que é o tecido responsável por recobrir as extremidades dos ossos e permitir o movimento suave entre eles.

Quando essa cartilagem se desgasta, o osso fica exposto e passa a atritar diretamente com o outro osso, causando dor, rigidez e inflamação. Com o avanço da doença, também podem surgir deformidades e limitação importante dos movimentos.

A artrose pode acometer qualquer articulação, mas é mais comum em:

  • Joelhos
  • Quadris
  • Coluna vertebral
  • Mãos
  • Pés

Essas regiões suportam peso e realizam movimentos repetitivos, o que aumenta o desgaste ao longo dos anos.

Causas e fatores de risco da artrose

O envelhecimento é o principal fator de risco para a artrose, mas não é o único. Vários outros elementos contribuem para o desenvolvimento da doença, como:

  • Predisposição genética – histórico familiar aumenta o risco.
  • Obesidade – o excesso de peso sobrecarrega as articulações, especialmente os joelhos e quadris.
  • Lesões prévias – traumas, fraturas e cirurgias articulares podem acelerar o desgaste.
  • Movimentos repetitivos – profissões e esportes que exigem esforço contínuo das articulações aumentam o risco.
  • Alterações hormonais – em mulheres, a queda de estrogênio após a menopausa contribui para o surgimento da artrose.

É importante destacar que a artrose não é causada apenas pelo envelhecimento. Há pessoas jovens que desenvolvem artrose após traumas, sobrecarga física ou por fatores genéticos.

Sintomas da artrose

Os sintomas da artrose se instalam de forma lenta e progressiva, o que muitas vezes leva o paciente a ignorá-los nos estágios iniciais. Os principais sinais incluem:

  • Dor articular, geralmente pior ao final do dia ou após esforço.
  • Rigidez matinal, que melhora com o movimento.
  • Inchaço leve e sensação de calor na articulação.
  • Diminuição da mobilidade, com dificuldade para dobrar, esticar ou apoiar.
  • Estalos e crepitações durante o movimento.
  • Deformidades nas fases mais avançadas.
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Esses sintomas podem aparecer de forma leve, intermitente ou constante. Em fases iniciais, é possível que o paciente sinta apenas desconforto após atividades físicas; em fases mais avançadas, a dor pode surgir mesmo em repouso.

Impacto da artrose na qualidade de vida

A artrose não se limita a causar dor. Ela tem um impacto profundo na qualidade de vida física, emocional e social do paciente.

Limitação funcional

A dor e a rigidez dificultam atividades simples, como subir escadas, caminhar, abrir potes, escrever, vestir-se ou até levantar da cama. Isso leva à perda de autonomia e à dependência de familiares ou cuidadores.

Redução da mobilidade

Muitas pessoas com artrose passam a se movimentar menos por medo da dor. Esse comportamento leva à perda de massa muscular, piora da articulação e maior risco de quedas.

Impacto emocional

Conviver com dor crônica afeta o humor, a autoestima e o convívio social. É comum que pessoas com artrose desenvolvam ansiedade e depressão, especialmente quando se sentem limitadas e incapazes de realizar suas atividades habituais.

Prejuízo no trabalho e nas relações

A dor e a limitação podem afastar o paciente do trabalho, reduzir a produtividade e dificultar o lazer. Isso afeta não apenas o indivíduo, mas também sua vida familiar e financeira.

Por isso, tratar a artrose não é apenas tratar uma articulação — é cuidar da qualidade de vida como um todo.

Diagnóstico da artrose

O diagnóstico de artrose é clínico e radiológico. O reumatologista ou ortopedista avalia os sintomas, examina as articulações e solicita exames de imagem, como radiografias ou ressonância magnética, para confirmar o grau de desgaste.

Os exames mostram sinais característicos, como:

  • Diminuição do espaço articular;
  • Presença de osteófitos (bicos de papagaio);
  • Alterações ósseas e deformidades.

Embora a radiografia ajude, o diagnóstico deve sempre considerar os sintomas e limitações funcionais do paciente. Muitas pessoas têm alterações radiográficas leves, mas dor intensa — e o contrário também pode acontecer.

Tratamento da artrose: o que pode ser feito?

Apesar de não ter cura definitiva, a artrose pode e deve ser tratada. O objetivo é aliviar a dor, melhorar a função e retardar a progressão da doença.

O tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar, combinando medicamentos, fisioterapia, mudanças de estilo de vida e, em alguns casos, cirurgia.

1. Educação e autocuidado

O primeiro passo é entender a doença. O paciente informado participa ativamente do tratamento e adota medidas que ajudam a controlar os sintomas.

Aprender a respeitar os limites do corpo, ajustar posturas e planejar as atividades diárias são estratégias que reduzem a sobrecarga articular.

2. Controle do peso

A perda de peso é fundamental para quem tem artrose, especialmente nos joelhos e quadris. Reduzir apenas 5% do peso corporal já pode diminuir significativamente a dor e melhorar a mobilidade.

Menos peso = menos sobrecarga = menos dor.

3. Exercícios físicos

Ao contrário do que muitos pensam, o repouso prolongado piora a artrose. O movimento é essencial para manter a força muscular e proteger as articulações.

Os exercícios mais indicados são:

  • Hidroginástica;
  • Natação;
  • Pilates;
  • Fortalecimento muscular com acompanhamento profissional.

O ideal é praticar atividade física regular, sempre orientada por fisioterapeuta ou educador físico experiente em pacientes com artrose.

4. Fisioterapia

A fisioterapia é uma aliada essencial. O fisioterapeuta ensina exercícios específicos, faz alongamentos e utiliza recursos como calor, ultrassom e eletroestimulação para aliviar a dor.

Além disso, o fisioterapeuta orienta o paciente sobre a melhor maneira de se movimentar, evitando posturas e esforços que acelerem o desgaste.

5. Medicamentos

O tratamento medicamentoso tem como objetivo aliviar a dor e controlar a inflamação.

Os principais medicamentos utilizados são:

  • Analgésicos e anti-inflamatórios, para controle da dor;
  • Suplementos condroprotetores, como glicosamina, condroitina e colágenos que podem ajudar na proteção da cartilagem em alguns casos;
  • Infiltrações intra-articulares, com corticoide e/ou ácido hialurônico, com intuito de melhorar a dor, mobilidade e função articular

6. Tratamentos intervencionistas e cirúrgicos

Nos casos em que o tratamento clínico não é suficiente, pode ser indicada a cirurgia de prótese articular, especialmente em joelhos e quadris.
A cirurgia substitui a articulação desgastada por uma prótese metálica ou de cerâmica, devolvendo o movimento e a qualidade de vida.

Hoje, as técnicas cirúrgicas estão mais modernas e seguras, com recuperação cada vez mais rápida.

Benefícios do tratamento da artrose

Tratar a artrose muda completamente a trajetória da doença.
Entre os principais benefícios estão:

  • Redução da dor crônica
  • Melhora da mobilidade e da força muscular
  • Prevenção da progressão do desgaste
  • Mais independência e autonomia
  • Melhora do humor e da disposição
  • Maior capacidade de realizar atividades diárias

A melhora funcional é um dos maiores ganhos. Quando o paciente volta a se movimentar, ele resgata sua confiança, melhora o sono, o humor e até o convívio social.

O papel do médico e da equipe multidisciplinar

A artrose exige um cuidado global. Por isso, o tratamento ideal envolve uma equipe composta por reumatologista, ortopedista, fisioterapeuta, nutricionista e educador físico.

Cada profissional tem um papel importante:

  • O médico orienta e ajusta o tratamento medicamentoso.
  • O fisioterapeuta trabalha a função e o movimento.
  • O nutricionista ajuda no controle do peso e da inflamação.
  • O educador físico garante a prática segura de exercícios.

Essa abordagem integrada garante melhores resultados e uma melhora funcional duradoura.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Viver bem com artrose é possível!

A artrose não precisa ser sinônimo de limitação. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e engajamento do paciente, é possível reduzir a dor, preservar as articulações e manter uma vida ativa e produtiva.

Aceitar a doença não é se conformar com ela. É entender o que está acontecendo e agir de forma inteligente e preventiva.

Tratar a artrose significa reconquistar movimento, autonomia e qualidade de vida.

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